Não. Não é fácil lidar com o fim. Ainda mais quando se tem esperança de que alguma coisa vá fazer com que aquela descida íngreme passe por uma reviravolta, uma espécie de "meia volta, volver", e retome o caminho com foco no topo. A verdade é que o topo aguardado é o caminho. Fazê-lo perdurar deveria ser a motivação, não a chegada. Deveria ser como os jogos de frescobol (metáfora linda de Rubem Alves), cujo objetivo é manter a "bolinha" salpicando de uma raquete à outra. Quer melhor ditado popular de que a ideia é "não deixar a peteca cair?".
Uma pequena possibilidade da chegada ser o fim e eu já me debatia. Há dias venho me debatendo. Doar-se por inteiro enquanto o outro espera um pedaço qualquer, que nem precise ser a metade, é dolorido. Sentir-se rejeitado, descartado enquanto se declara, é pior ainda. A simples ideia de que a sua declaração pode ser um atestado de própria morte, sabe se lá porque, é uma punhalada.
Onde é que fomos parar? Por que a ideia de manter um relacionamento que te faz sofrer parece ser menos pior que colocar um ponto final? Por que, raios, a gente tem que gostar tanto e se envolver a ponto de desejar uma pessoa tanto quanto eu a desejo? Invejo os frígidos. Os frios. Aqueles sem coração, cujas preocupações não ultrapassam o limite da visão do próprio umbigo. Não vivem, sob o meu ponto de vista, mas também não sofrem. Ou se sofrem, sofrem menos. E me deixem medir. Porque agora o sofrimento é meu e acho que ele é maior que o mundo todo. Mesmo sabendo que é mentira. Que todos sofremos, que todos nós não suportamos a ideia de sermos rejeitados. De abrirem mão de nós em detrimentos de?... Seja lá o que for.
Numa dessas conversas afinadas que se tem com pessoas de alma parecida, me disseram que são tempos difíceis para os que sonham. Pagar o preço por sonhar e compartilhar é foda. Sei que o problema está em sonhar sozinho. E a gente nunca espera isso de um relacionamento. Esperamos troca, construção, desejo... amor. Também não é justo querer que o outro sonhe o nosso sonho. E, se não é justo, porque que a gente fica tão mal assim quando as coisas não dão certo? Quando o outro quer ir embora, não deveria ser natural deixá-lo partir? Abrir mão. Aplicar o desapego.
Quem foi o filho da puta que disse isso? Como é que consegue libertar-se com facilidade? Ahhh, mas vai dizer que não é fácil? Porra, então pra que sofrer tentando aplicar o desapego se a gente já sofre recebendo o "desapego" dos outros? Nessa horas, há muito mais perguntas que respostas. Nessa horas, a gente quer morrer. Nessas horas, querer morrer incomoda. A simples ideia de estar incomodado, incomoda. O outro não vale isso. Mentira. Vale isso sim. Vale muito mais. E é aquele duelo interno, como cão e gato, anjo e demônio.
Uma cerveja e qualquer subterfúgio para me tirar dessa lama. Enquanto escrevo isso, penso o tanto que eu tenho de amor para ela. O quanto ela desperdiçou. E ficará guardado sabe-se lá por quanto tempo. Já estava antes de começar a acontecer, na prática, o primeiro beijo. Passo o tempo rascunhando esse relato pós-traumático da difícil arte de se ter um não. Eufemismo que eu criei agora para disfarçar o popular pé na bunda. Porra, Xico, e eu que acreditei um dia que só o pé na bunda salva, que ele nos empurra para frente... Você me enganou, seu velho cabra arretado, dominador da arte malandra de amar e lidar com a falta, com a rejeição. Eu sou mais fraco. Eu sou do amor correspondido.
Tenho certeza, daquelas semelhantes aos crentes que juram de pé junto ir para o céu quando as trombetas tocarem, que os seres evoluídos ignoram os pés na bunda. Eu não, eu os vivo intensamente. Quase crio um altar. Dignos de um registro histórico. Dá até pra virar série na netflix. Poderia se chamar "De pé na bunda em pé na bunda é que se vive a vida, arrombado". Mas o chororô precisa ter fim. Então conte-me uma história boa. De quando a conheceu.
Era início de ano, quando uma amiga me dizia sobre uma pessoa que eu adoraria conhecer. "Ela é atleticana", enfatizou. "E é linda". Maldita primeira foto. Era mesmo um encanto. Ou eu me encantei por ela. Hoje é difícil de dizer. Bestão que sou, passei a enamorá-la virtualmente. Aquele platonismo-nosso-de-cada-dia que teima em permanecer. Acho que foi a primeira vez que entendi o verbo stalkear. Eram tantas visitas àquela página de perfil que se houvesse um analista olhando meu comportamento poderia achar que eu era um possível psicopata.
"Ela vai estar no meu aniversário", essa amiga me falou. Droga. Agora tenho de ir. Dê um jeito, cara. Repeti internamente. E lá estava eu, numa sexta-feira, junto com o povo do trabalho, e de olho naquela morena, alta, de cabelos ondulados e sorriso lindo. Aquele sorriso arrebatador. Mal ela sabe que me tirou da mesa inúmeras vezes. Eu estava em outro lugar, mergulhado no brilho daquele olhar, no contorno daqueles lábios. Posso descrever com maestria a roupa que ela usava no dia, um macacão estampado, mostrando as pernas torneadas. Óbvio não ter acontecido nada além da minha imaginação fértil. Fiquei apenas observando à distância, coisa que sou perito... E estou aqui, mais de um ano depois, retornando ao mesmo estágio de observador distante.
Um dia continua.
terça-feira, 21 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Sem nome
Um mês ou três?
resumir em palavras, difícil arte.
Digo que te amo,
mas será “te amo”
suficiente para você saber
o quanto estou feliz com você?
o quanto és especial?
Te digo: a cada dia,
embora obstáculos possam surgir,
um novo sol nasce dentro do meu peito.
clareia ainda mais,
apolíneo ou dionisíaco?
não sei escrever.
mas sei que erro, é humano
Sentimento!
bem maior que
meu coração.
celeste, divino,
não há explicação.
somente o que sentir,
e eu sinto.
resumir em palavras, difícil arte.
Digo que te amo,
mas será “te amo”
suficiente para você saber
o quanto estou feliz com você?
o quanto és especial?
Te digo: a cada dia,
embora obstáculos possam surgir,
um novo sol nasce dentro do meu peito.
clareia ainda mais,
apolíneo ou dionisíaco?
não sei escrever.
mas sei que erro, é humano
Sentimento!
bem maior que
meu coração.
celeste, divino,
não há explicação.
somente o que sentir,
e eu sinto.
domingo, 31 de maio de 2015
Escorpião
aquela beleza profunda e misteriosa
penetra os olhos e te enfeitiça
você não se dá conta, está fisgado
num piscar de olhos se entrega, se magnetiza
a brisa aviva, o vento sopra
mando beijos por ele
e torço pra que me traga de volta.
penetra os olhos e te enfeitiça
você não se dá conta, está fisgado
num piscar de olhos se entrega, se magnetiza
a brisa aviva, o vento sopra
mando beijos por ele
e torço pra que me traga de volta.
domingo, 17 de maio de 2015
Um loop, um ano
Quando você se dá conta de que aquele sorriso de canto de boca ao lembrar dela está te pegando de jeito é hora de assumir que todo esse enredo faz sentido. Faz mais que sentido. Faz bem.
Sobre sentir, nas minhas montanhas-russa diárias, posso me considerar um grande aventureiro. Fáceis conexões malucas que vejo fluirem, desde as conversas de estranhos dentro do ônibus àquela velha música conhecida, mas que agora fala de forma diferente a respeito de algo bem atual.
Em um ano podem acontecer milhares de coisas novas. Mas quando você volta a um determinado espaço-lugar (aka corpo ou olhar) sem combinar fazê-lo, eis um sinal. Resta agora aproveitar a campainha, entrar no trem e descobrir o que o trajeto nos reserva.
bon voyage
Sobre sentir, nas minhas montanhas-russa diárias, posso me considerar um grande aventureiro. Fáceis conexões malucas que vejo fluirem, desde as conversas de estranhos dentro do ônibus àquela velha música conhecida, mas que agora fala de forma diferente a respeito de algo bem atual.
Em um ano podem acontecer milhares de coisas novas. Mas quando você volta a um determinado espaço-lugar (aka corpo ou olhar) sem combinar fazê-lo, eis um sinal. Resta agora aproveitar a campainha, entrar no trem e descobrir o que o trajeto nos reserva.
bon voyage
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Hope
Você acha que está mandando bem, que aqueles risos e mensagens recebidas significam alguma coisa. Errado. Ela te acha legal, até sente falta da sua companhia virtual. Mas os beijos têm dono. E não é você. O calor do seu corpo quando ela abraça não é seu. As mãos que ajeitam os fios dos cabelos quando ela gargalha da piada também não são suas. Mas sabe o que é seu e ninguém te tira? A esperança.
Melhor ser um tolo esperançoso que um ranzinza duro sozinho. Sua vez chegará, mas não será fáceo.
Melhor ser um tolo esperançoso que um ranzinza duro sozinho. Sua vez chegará, mas não será fáceo.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Mantra
A vida muda e, com ela, tudo o que compõe o seu cotidiano. Faz parte. Mas nem sempre estamos preparados para todas as mudanças. Dizem até que nunca estaremos preparados para as que são bruscas, de uma hora pra outra, as que nos pegam de surpresa. Mas parece que essas são as mais significantes. De alguma forma te chacoalham. Te tiram o equilíbrio (ou seria melhor da zona de conforto?). Só que não é porque não nos sentimos preparados que deixamos de abraçar uma oportunidade. O frio na barriga, aquela sensação de incerteza, muitas vezes nos empurra pra frente. Lembra da metáfora da vaquinha empurrada pelo monge?
Talvez o momento atual seja resultado de uma vaquinha sendo empurrada, te fazendo movimentar numa tentativa de compreender um pouco da dinâmica do universo. Aliás, entender nada. Nós não entendemos nada. Somos uma poeira nessa imensidão. Mas poderíamos acreditaar que a vida é menos complexa do que pintamos. Devemos sentir o vento e acreditar na intuição de pra onde temos de ir. Se não depende de você a mudança, permita-se ser a mudança. Vou concordar se me disser que é a parte mais difícil. Mas, quer saber? Foda-se. Quem disse que seria fácil?
E o que eu tenho feito ultimamente com muita paciência e dor é isso: ser a mudança. Sei o quanto é difícil. Então não me venha com desculpas esfarrapadas! Eu quero chegar lá e sei que depende de muitos fatores. Talvez leve um tempo bem maior do que eu gostaria, mas isso também faz parte do pacotão da vida. Nessas horas, paciência e parcimônia. O que é nosso está guardado desde que façamos por onde.
Imaginem essa história... Era um domingo, fim do dia, pensamentos longe vagueando pelas lembranças da caminhada numa praia linda do nordeste. Claro que eles tinham nome, forma, belezura. Só que estavam tão distantes da mão do dito cujo que ele imaginava um tempo muito grande para ficar cara a cara com a felicidade. A vida puxa o tapete, mas também entrega as lâmpadas mágicas... e ela veio ao seu encontro. E veio sem fazer alarde. Veio como uma mudança brusca que te pega de surpresa, fazendo sentir como Hermes e suas asas nos pés. Voaram e voaram. Céu azul. Mar infinito no horizonte. Ele sabia onde queria chegar. Como um mantra, repetia paciência, paciência, paciência...
Talvez o momento atual seja resultado de uma vaquinha sendo empurrada, te fazendo movimentar numa tentativa de compreender um pouco da dinâmica do universo. Aliás, entender nada. Nós não entendemos nada. Somos uma poeira nessa imensidão. Mas poderíamos acreditaar que a vida é menos complexa do que pintamos. Devemos sentir o vento e acreditar na intuição de pra onde temos de ir. Se não depende de você a mudança, permita-se ser a mudança. Vou concordar se me disser que é a parte mais difícil. Mas, quer saber? Foda-se. Quem disse que seria fácil?
E o que eu tenho feito ultimamente com muita paciência e dor é isso: ser a mudança. Sei o quanto é difícil. Então não me venha com desculpas esfarrapadas! Eu quero chegar lá e sei que depende de muitos fatores. Talvez leve um tempo bem maior do que eu gostaria, mas isso também faz parte do pacotão da vida. Nessas horas, paciência e parcimônia. O que é nosso está guardado desde que façamos por onde.
Imaginem essa história... Era um domingo, fim do dia, pensamentos longe vagueando pelas lembranças da caminhada numa praia linda do nordeste. Claro que eles tinham nome, forma, belezura. Só que estavam tão distantes da mão do dito cujo que ele imaginava um tempo muito grande para ficar cara a cara com a felicidade. A vida puxa o tapete, mas também entrega as lâmpadas mágicas... e ela veio ao seu encontro. E veio sem fazer alarde. Veio como uma mudança brusca que te pega de surpresa, fazendo sentir como Hermes e suas asas nos pés. Voaram e voaram. Céu azul. Mar infinito no horizonte. Ele sabia onde queria chegar. Como um mantra, repetia paciência, paciência, paciência...
Religare
Pensando numa maneira de descrever essa reação vulcânica que a sua lembrança me causa. Que alvoroço é esse que o pensamento desencadeia numa espécie de controle remoto do sistema nervoso, me fazendo palpitar como quando, sedentário, tento correr na avenida em direção ao ônibus que não me esperar chegar? Será mesmo necessário isso tudo? Questiono cada respiração ofegante, cada sorriso de canto de boca dado, cada suspiro. Esse brilho nos olhos tem nome, cor, endereço e religião. Me faz pensar ainda além, que a religião vem de religare... E eu, sinceramente, gostaria de estar ligado aos fios dos teus cabelos pelos dedos da minha mão nesse exato instante.
terça-feira, 24 de março de 2015
Intenso
Até parece que ele já sabia que o seu tempo acelerado mais assustaria que ajudaria.
Será, então, que há tempo para consertar o tempo corrido e apressado?
As palavras teimam em sair.
Querem alcançar os ouvidos e olhos alheios.
Não se contentam em permanecerem cerradas aos lábios.
Ela se assusta e se esquiva com razão porque é preciso calma.
Mas calma nesse mundo que nos acelera e pede pressa.
Quem cantou não fui eu não.
Não devia ser o único intenso.
É preciso conviver com a solitude.
E guardar pra si.
Palavras.
Será, então, que há tempo para consertar o tempo corrido e apressado?
As palavras teimam em sair.
Querem alcançar os ouvidos e olhos alheios.
Não se contentam em permanecerem cerradas aos lábios.
Ela se assusta e se esquiva com razão porque é preciso calma.
Mas calma nesse mundo que nos acelera e pede pressa.
Quem cantou não fui eu não.
Não devia ser o único intenso.
É preciso conviver com a solitude.
E guardar pra si.
Palavras.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
21-02-2015
Fiquei rodeando para falar e, confesso, as vezes até corro dos meus pensamentos que querem chegar a um senso comum com os meus sentimentos.
A verdade é que quando estamos perto um do outro a sensação que eu tenho é de que o relógio para e que a terra gira em torno de nós. E por mais que reconheça que há tantos entretantos, poréns e afins, que eu sei que existem porque as nossas vidas são recheadas deles, continuo sereno, sonhando contigo.
A verdade é que quando estamos perto um do outro a sensação que eu tenho é de que o relógio para e que a terra gira em torno de nós. E por mais que reconheça que há tantos entretantos, poréns e afins, que eu sei que existem porque as nossas vidas são recheadas deles, continuo sereno, sonhando contigo.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Mar celsius
Essa vida cheia de surpresas / toma lá, dá cá / ainda me fará sorrir mais do que eu devia.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Aspiração
Suspirou. Acendeu um cigarro.
Ela o fez viciar na droga que ele mais odiava.
Tudo isso pra não pirar.
Descontava cada palavra indigesta numa baforada diabólica.
Pro demônio meus pulmões!
Pensava alto enquanto batia o bumbo do chão em síncopes.
Ficava ainda mais emputecido por perder o beat.
Odiar amar alguém é a mais dolorosa contradição que possa existir.
Mas o amor tem dessas coisas.
Mata quantas vezes quiser.
Faz de capacho e ainda te estende a mão com uma risadinha safada.
Tipo puta em beira de estrada rodando a saia à espera do caminhoneiro.
Quase um maço de cigarro se foi.
Não há força nem pra acender a luz.
Na verdade, ele não quer se olhar pra não ver o estrago do dia.
Deixa só a fumaça esvair, a brasa da ponta alumiar o ambiente fúnebre que se tornou aquela sala...
Ele ainda vai sobreviver.
Ela o fez viciar na droga que ele mais odiava.
Tudo isso pra não pirar.
Descontava cada palavra indigesta numa baforada diabólica.
Pro demônio meus pulmões!
Pensava alto enquanto batia o bumbo do chão em síncopes.
Ficava ainda mais emputecido por perder o beat.
Odiar amar alguém é a mais dolorosa contradição que possa existir.
Mas o amor tem dessas coisas.
Mata quantas vezes quiser.
Faz de capacho e ainda te estende a mão com uma risadinha safada.
Tipo puta em beira de estrada rodando a saia à espera do caminhoneiro.
Quase um maço de cigarro se foi.
Não há força nem pra acender a luz.
Na verdade, ele não quer se olhar pra não ver o estrago do dia.
Deixa só a fumaça esvair, a brasa da ponta alumiar o ambiente fúnebre que se tornou aquela sala...
Ele ainda vai sobreviver.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Sóbrio humano
Começa-se abrir aos poucos
coração que bate forte, pulsa
sangue correndo pelas veias, navega
pensamentos na cabeça ecoam
reviravolta do cotidiano e de expectativas
renovadas.
Vendo-me, pego emprestado o termo
vejo seu rosto, vejo online
não resisto, durmo menos
sobrevivo, sóbrio vivo
pra amanhã
te ver (ter você).
coração que bate forte, pulsa
sangue correndo pelas veias, navega
pensamentos na cabeça ecoam
reviravolta do cotidiano e de expectativas
renovadas.
Vendo-me, pego emprestado o termo
vejo seu rosto, vejo online
não resisto, durmo menos
sobrevivo, sóbrio vivo
pra amanhã
te ver (ter você).
terça-feira, 25 de março de 2014
Poderia ser assim
Bem te vi de novo.
Descendo a rua num charme único com óculos de aros escuros.
Um tanto hipster, confesso.
Que mal há? Nenhum.
Os cabelos dessa vez estavam soltos, sapatênis e não-bota.
Jeans básico, calça de quem usa com (e tem!) personalidade.
As que não precisam ter o gavião entochado.
Verde-bandeira.
Que cor bonita para se ter uma camiseta...
E ainda mostrando a tatuagem de rosas, sobreposição de flores.
É lindo ver.
Entre raios solares que penetram pela copa das árvores antigas e ainda floridas no início do outono.
A beleza ainda não tem nome. Ou não foi descoberta.
Descendo a rua num charme único com óculos de aros escuros.
Um tanto hipster, confesso.
Que mal há? Nenhum.
Os cabelos dessa vez estavam soltos, sapatênis e não-bota.
Jeans básico, calça de quem usa com (e tem!) personalidade.
As que não precisam ter o gavião entochado.
Verde-bandeira.
Que cor bonita para se ter uma camiseta...
E ainda mostrando a tatuagem de rosas, sobreposição de flores.
É lindo ver.
Entre raios solares que penetram pela copa das árvores antigas e ainda floridas no início do outono.
A beleza ainda não tem nome. Ou não foi descoberta.
Intera(ere)ções
Quer(emos) curtidas tanto quanto quer(emos) companhia.
mais abraços e menos likes
mais beijos e menos share
mais perfume e menos memes
mais conversas jogadas fora
e menos vídeos-virais.
Todo mundo muda, todo mundo mudo.
mais abraços e menos likes
mais beijos e menos share
mais perfume e menos memes
mais conversas jogadas fora
e menos vídeos-virais.
Todo mundo muda, todo mundo mudo.
Ter e não ser
Há os que têm
mas há os que são.
E há também os que acham cool ser
mas preferem dizer que têm.
vai entender.
mas há os que são.
E há também os que acham cool ser
mas preferem dizer que têm.
vai entender.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Desfibrilador
E eu achava que um desfibrilador resolveria o que nada parecia ter volta,
batimentos cardíacos lentos e fracos.
Mas a nossa teimosia é sagaz.
Nos coloca em posição de check mate, e claro que não ao nosso favor.
Ficar tomando choque durante muito tempo não pode ser bom.
E não é mesmo.
Lá vem um último suspiro. Acordei.
Lá vem tudo outra vez.
sábado, 15 de março de 2014
Entrelinhas
- Sempre rio muito dos seus posts.
- Não sei se acho bom ou choro.- As vezes são confissões doloridas.
- Mas fico feliz, gosto de te ler também.
- Quero te mandar um vídeo, vou postar
no Youtube pra você ver.
- ... quanto a serem doloridas, as confissões,
(com)partilho...
- As vezes, pela ironia nossa de cada dia,
fazemos alguns rirem enquanto choramos.
- Não literalmente, mas enfim...
- Me mande o vídeo!
(com)partilho...
- As vezes, pela ironia nossa de cada dia,
fazemos alguns rirem enquanto choramos.
- Não literalmente, mas enfim...
- Me mande o vídeo!
- Sobre as confissões...
- Há tantas entrelinhas quando postamos algo
que talvez pudessem nascer capítulos a partir das
pequenas frases.
- Há tantas entrelinhas quando postamos algo
que talvez pudessem nascer capítulos a partir das
pequenas frases.
- Entrelinhas: quando sai seu livro?
...
...
- Oi!
- Estava aqui rasgando a alma
com o Fernando na voz do Paulo
(referindo ao Poema Em Linha Reta).
com o Fernando na voz do Paulo
(referindo ao Poema Em Linha Reta).
- Qual livro? Qual deles?
- É, é de rasgar a alma mesmo...
Nos reduz a um grão, ou melhor,
nos faz reconhecer a nossa insignificância plena...
Com uma pitada de dúvida: estou vivendo mesmo o que deveria viver para morrer?
Nos reduz a um grão, ou melhor,
nos faz reconhecer a nossa insignificância plena...
Com uma pitada de dúvida: estou vivendo mesmo o que deveria viver para morrer?
- Pois é. Ainda mais agora enquanto tenho
que defender com todos os argumentos magníficos,
contundentes e cheios de embasamento,
um nada sobre coisa alguma pra ninguém.
que defender com todos os argumentos magníficos,
contundentes e cheios de embasamento,
um nada sobre coisa alguma pra ninguém.
- E nesse imbróglio, vives o que querias viver?
- Planejamento sobre um assunto no qual desacredito das boas intenções!
Vou parar de conversar ou chuto este computador...
Vou parar de conversar ou chuto este computador...
- Eu te digo porque sei que você não vai me respeitar ou
desrespeitar menos pelo que de verdade gostaria.
desrespeitar menos pelo que de verdade gostaria.
- Gostaria de escrever tão bem sobre a vida e apenas isto.
- Gostaria de escrever sobre tantas insignificâncias
ou paixões sem ter que vive-las todas.
ou paixões sem ter que vive-las todas.
- Gostaria de tocar e mudar a vida de uma ou duas criaturas no mundo.
E por motivos tão nobres, gostaria de...
E por motivos tão nobres, gostaria de...
- Não manda, não.. Fica tranquila, ao menos por agora.
- Ainda temos muito o que confabular da magia e truculenta vontade de viver (será isso mesmo?).
- Ficar milionária, ganhar tubos de dinheiro pra passar a vida viajando pelo mundo,
experimentando pessoas e lugares. me fartando de tudo até morrer de barriga e alma cheias.
experimentando pessoas e lugares. me fartando de tudo até morrer de barriga e alma cheias.
- Beijos beijos... To be continue. Agora vou voltar pro dia-a-dia. Arroz e feijão.
...
quinta-feira, 13 de março de 2014
Quinta-feira, 23h35
Vestindo de alma a cara
enquanto carrega o peso dos dias.
Cinzas e azuis, quentes e frios
na melancolia da solidão
observo passos largos
eles vem e vão
pergunto-me pra onde estará indo
que ainda não passaste por aqui
se os caminhos são como bordados
cadê o nosso ponto cruz?
terça-feira, 11 de março de 2014
Instante
Passou por perto
sentou-se à mesa
não, era um balcão
fez que faria o pedido, desculpa
aguardou o pedido? Flertou.
Olho por olho nem sempre é vendeta.
Dente por dente pode ser beijo.
Num instante que se fez
e agora? escorre aos dedos
a palavra não-dita professada com o olhar
os olhos se estendem pedindo um tempo
levantou-se, andou pelo lugar, se foi.
domingo, 2 de março de 2014
Essência
A gente nasce, cresce, vive e morre... sem saber nada.
Mas saber que que vai morrer já é saber de algo.
E como viver esperando por esse dia que colocará um ponto final na sua história?
Eis um segredo: entre o primeiro parágrafo e o último ponto final é preciso existir apenas o que é essência.
Olhar o horizonte e o tempo passado sentindo que viveu sem desperdiçar a vida.
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